Espanha fecha as brechas da barriga de aluguel: crianças sem registro e disputas sem compromisso
A maternidade de substituição, que há muito tempo provoca um debate feroz na sociedade espanhola, voltou a ser o foco das atenções — desta vez devido a mudanças legislativas drásticas. O Ministério da Justiça da Espanha anunciou a proibição do registro automático no Cartório de crianças nascidas de mães de aluguel no exterior. E esta decisão não é apenas declarativa - ela já entrou em vigor a partir de 1 de maio, após a publicação do Decreto no Jornal Oficial do estado (BOE).

Agora, mesmo que o casal tenha uma ordem judicial de outro país, como os EUA, confirmando a legalidade do contrato de barriga de aluguel, a criança não será automaticamente reconhecida como cidadà espanhola. Anteriormente, tais casos eram tratados com a ajuda de truques legais — era suficiente executar certas formalidades para obter o registro. A nova abordagem muda radicalmente as regras do jogo: a partir de Agora, o reconhecimento da paternidade requer prova biológica ou adoção formal.
As famílias que já assinaram contratos no exterior terão que passar por procedimentos burocráticos complexos e demorados na Espanha para que a criança seja reconhecida como parte da família. Na verdade, isso bloqueia qualquer possibilidade de reconhecer a maternidade de substituição, ignorando a legislação atual do país onde tais serviços são proibidos.
O governo atribuiu suas ações à preocupação com o "melhor interesse da criança" e à necessidade de parar o "turismo reprodutivo". As autoridades enfatizam que o sistema de registro foi usado anteriormente como uma maneira de contornar a proibição nacional, transformando a barriga de aluguel em um mercado paralelo. As autoridades acreditam que as brechas estão fechadas.
No entanto, a decisão causou uma forte reação na sociedade, especialmente entre defensores dos Direitos Humanos e organizações feministas. Alguns ativistas descreveram a nova ordem como "discriminatória" e "contrária aos direitos das mulheres". Eles acreditam que, em vez de combater a exploração das mulheres, o governo está de fato punindo as crianças nascidas como resultado de tais tratados. "Aqueles que recorrem à exploração reprodutiva devem ser responsabilizados, incluindo a privação dos direitos dos pais", dizem os movimentos feministas, enfatizando que a barriga de aluguel muitas vezes esconde condições desiguais e economicamente desfavorecidas para as mulheres.
Curiosamente, apesar da proibição atual no país, no ano passado, 154 crianças nascidas de mães substitutas foram registradas oficialmente sob decisões judiciais estrangeiras. Este número, de acordo com as autoridades, confirma: o problema é sistêmico e não pode ser ignorado.
Além disso, em 2023, a Suprema Corte da Espanha invalidou o contrato de barriga de aluguel, mesmo que o casal tivesse uma sentença legal emitida nos Estados Unidos. Este precedente formou a base da nova prática, que agora está consagrada no nível legislativo. A partir deste momento, qualquer caso de maternidade de substituição será tratado exclusivamente dentro dos limites das normas vigentes: se um dos pais tiver uma conexão biológica com a criança, ele poderá registrá-la como nativo. Caso contrário, apenas o procedimento de adoção, e em conformidade com todas as normas do direito espanhol.
Alguns especialistas prevêem uma onda de litígios e um aumento nos apelos às instâncias internacionais. Afinal, muitas famílias já estão na fase de espera pelo nascimento de uma criança de uma mãe substituta no exterior e não contavam com mudanças tão radicais. Em breve, os tribunais espanhóis enfrentarão conflitos legais que levantarão novamente a questão: como equilibrar os direitos das mulheres, os direitos das crianças e o desejo de ser pai?
A nova política da Espanha pode ser um exemplo para outros países europeus, onde as discussões sobre a barriga de aluguel também estão se intensificando. Com a liberalização das tecnologias reprodutivas em algumas regiões e severas restrições em outras, a Espanha está optando pelo conservadorismo jurídico, afirmando a prioridade da legislação nacional sobre a prática jurídica internacional.
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